Exposição A Leveza do Concreto

Construir é compor

Prefaciar esta obra é, para mim, algo de muito importante. Por duas razões simples: Primeiro, por ter participação dupla no processo de criação deste trabalho. Segundo, por ser o resultado de um processo – aqui chamado de experiência estética – muito bem depurado. Cabe, então, fazer um breve preâmbulo sobre o autor Francisco Vieira.

Aluno de um dos meus cursos, Vieira foi um obstinado aprendiz. Logo os seus resultados alcançaram o nível estético aos dos por mim apresentados como referência. A idéia do livro veio como conseqüência das experiências estéticas vivenciadas ao longo do tempo. Meses de trabalhos e inúmeras idas e vindas ao seu espaço de trabalho, o canteiro de obra, sua atividade de campo, um verdadeiro ensaio empírico antropológico, sem deixar de lado as valiosas observações e suas respectivas anotações dos sentimentos vividos.

Filho de um ambiente hermeticamente técnico, Francisco descobriu na fotografia uma desenvoltura visivelmente habilidosa.

Foram tantas as imagens que, se trocadas por tijolos, dariam para construir um outro prédio de igual tamanho. Tanta quantidade não comprometeu a qualidade aqui apresentada. Da capa à seqüência das posições, tudo pensado para reproduzir, como num museu, suas experiências vivenciadas.

Este ensaio é, sobretudo, uma prova incondicional da capacidade do homem, aqui representado pelo autor, de transformar o belo em mais belo, o concreto em abstrato e de que é possível elevar o familiar ao status de incomum. Francisco transforma a dura vida de pessoas anônimas em peças raras, moldadas com finas luzes em fôrmas de prata. Depois desta obra, poderia me perguntar? É mais fácil construir um prédio ou construir um livro? Depois deste livro, sentiremos quanto há de leveza no concreto.

Marcelo Reis | Fotógrafo e diretor da Casa da Photographia

A Leveza do Concreto

Sempre carrego comigo lembranças de instantes e sentimentos vividos nos tempos de construção e, sustentado por essas reflexões, venho cultivando o intento de manifestar às pessoas minhas impressões sobre o cotidiano dos que lá trabalham.

Existe uma atividade intensa, uma movimentação fatigante, muito suor, muita adrenalina atrás das alvenarias e tapumes de uma obra. É uma explosão de vida, um vai e vem sem fim de deslocamentos incessantes. Nesse cenário aparentemente caótico, confuso e desordenado, percebi a presença de homens movidos por muita coragem, para os quais a determinação representa a própria linha da sobrevivência.

Mas tanta agitação não esconde toda leveza oculta naquele burburinho. Assim, numa atitude de abstração, de quase contemplação, descobri a elegância das linhas, o contorno das formas, a concentração dos que trabalham, a tranqüilidade dos que se alimentam, a alegria dos que se divertem, a quietude dos que descansam. Pessoas de diversas regiões numa pluralidade de culturas, costumes, cores e credos se harmonizam, num mesmo espaço, unidas pela dignidade de um silêncio edificante. Tal silêncio escapa à atenção daqueles que não trazem consigo uma história de convivência com essa gente, com a qual pude participar, durante muitos anos, de várias jornadas, de desafiantes empreitadas e de grandes realizações.

Compreendi, então, que estava diante de uma oportunidade estimulante: conciliar a engenharia civil e a fotografia – duas atividades que, ao longo da vida, tanto me seduziram. Parecia evidente! Pelas lentes de uma câmera fotográfica, prestar um legítimo tributo aos que se dedicam a construir.

As construções, muitas vezes, foram exibidas pelas arrojadas linhas de seu projeto, pela imensidão de seus cômodos, pelas belíssimas vistas. Proponho uma outra abordagem: sob o ponto de vista de seus próprios autores.

Com a fotografia busco a luz que dá vida aos materiais nos canteiros, aos movimentos dos corpos, às infinitas possibilidades de expressões tão exuberantes e férteis numa construção. Entendo que a imagem de uma obra não pode ser apresentada a cores porque, na verdade, ela permeia, o tempo todo, na dualidade do preto e branco. Só após finalizada, com a ausência dos operários, é que se destacam as cores de sua arquitetura.

Assim, este livro resulta da convergência de minhas percepções como engenheiro e apreciador da fotografia, e pretende, apenas, revelar parte do talento, da coragem e da generosidade dos trabalhadores da construção civil. Homens capazes de transformar a pesada tarefa de cada dia numa leveza bonita de se ver.

Francisco Vieira

O suor em cada rosto: essência da construção. A leveza está na essência: nas linhas da palma da mão. Há, certamente, o peso de cada projeto de vida. E a superfície no alpendre, a Petrobras pedindo passagem, por meio das lentes de um fotógrafo. Objetivo? Contribuir para a construção de uma sociedade mais justa. Para todos os brasileiros. Um compromisso assumido com todos que foram às ruas defender a empresa, em vários momentos da história desta nação.

Eis, então, que este é o momento de uma nova construção. A construção da auto-suficiência brasileira na produção de petróleo. Abril de 2006, vocês se lembram? Pois sim. Uma conquista de toda a força de trabalho da Petrobras e da sociedade brasileira. Um processo de construção coletiva, iniciado em outubro de 1953, com a criação da companhia. Um sonho concreto.

Era essa a missão da Petrobras? Sim, claro que sim. E nesse sonho concreto estava prevista a contribuição para o desenvolvimento social e econômico do país. Por isso é que a empresa investe em cultura: para preservar a memória brasileira, seja por meio do cinema, da literatura, da música. Tudo é patrimônio histórico.

 E é natural que seja assim. Ao patrocinar “A Leveza do Concreto”, do fotógrafo Francisco Vieira, a Petrobras tem a certeza de que está realizando um importante registro dos momentos edificantes do povo brasileiro, cuja altivez e grandeza têm sedimentado a história de um Brasil melhor. Para sempre melhor.

 BR Petrobras

A “Leveza do Concreto” consiste num minucioso registro fotográfico da trajetória do artista, engenheiro e, antes de tudo, observador, Francisco Vieira. É incrível a clareza na expressão de sua arte que retrata, acima de tudo, o trabalho, a cidadania, o empenho e o cuidado que têm os operários na construção de casas, prédios e pontes. Um olhar sobre a atividade daqueles que verdadeiramente constroem este País e erguem, tijolo a tijolo, sob o amálgama do suor , o sonho da prosperidade pessoal e coletiva.

Esse trabalho de resgate da memória fotográfica de uma época é, na verdade, reconhecimento à essência da própria nacionalidade, pois no trabalho anônimo, mas imprescindível, dos operários do nosso futuro, reside a metáfora da nossa própria identidade na busca da realização pessoal, que tem, na construção do País, a realização de uma nação inteira. Nela cabem todos os sotaques, credos, valores, cores, procedências, costumes e sentimentos. Em homens que se deslocam de diversas partes do País para erguerem as metrópoles, ou mesmo nos pequenos burgos, vamos encontrá-los em uma saga que se renova a cada manhã. São criaturas multifacéticas – altos, baixos, robustos, frágeis, duros ou sensíveis – mas todos operativos, no sentido de finalizar o objeto do seu trabalho como a concretização de um objetivo que pode ser de um, de alguns ou de toda a coletividade.

A partir do momento em que reconhecemos a importância do trabalhador da construção civil, buscamos, pela sua representação, homenagear a todos os operários que procuram, com o suor dos seus rostos, alavancar um Brasil cada dia mais igualitário, com a participação de todos os brasileiros, em direção à concretização plena da cidadania.

Reconhecer e valorizar atividades artísticas de real importância é parte importante da missão de todos nós, cidadãos ou empresas. Sem dúvida, a obra do fotógrafo Francisco Vieira, por sua magnitude, consegue dar significação e leveza a algo concreto e reflete a disposição de nossa gente de arregaçar as mangas e construir o futuro

Caixa

Fotos expostas

Vídeo A Leveza do Concreto 

Fotos da galeria da exposição A Leveza do Concreto em Brasília